RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS: Atualização Importante para Empresários. – Camargo Neves Advogados
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RECUPERAÇÃO JUDICIAL E A RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS: Atualização Importante para Empresários.

Se sua empresa está em crise, entrou em recuperação judicial ou você tem sócios, vale ler com atenção. As regras para cobrar dívidas trabalhistas de empresas em crise mudaram e você precisa saber o que mudou.

O que mudou na lei e na jurisprudência

  • Em 2020, a reforma da Lei 11.101/2005 (pela Lei 14.112/2020) incluiu o Artigo 82 A, que deixou claro que a desconsideração da personalidade jurídica — ou seja, “passar a dívida da empresa para o patrimônio dos sócios” — deve ser decidida pelo juízo da recuperação/falência, não por qualquer tribunal.
  • Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou esse entendimento: no caso de empresa falida (e, por extensão, em recuperação), só o juízo da recuperação ou falência pode decretar a desconsideração da empresa e atingir bens de sócios.
  • Na prática, isso limita fortemente a atuação da Justiça do Trabalho (JT): agora, mesmo se houver dívidas trabalhistas, o redirecionamento automático da execução para sócios já não é garantido.

O que isso significa para sua empresa

  • Recuperação judicial não garante “blindagem total” dos sócios. Se houver prova de abuso, confusão patrimonial, fraude ou desvio de finalidade, a desconsideração ainda pode ser decretada, mas o caminho será mais rigoroso.
  • Executivos e sócios devem reforçar a separação entre patrimônio da empresa e patrimônio pessoal. Misturar contas, bens ou operações pode aumentar o risco de responsabilização.
  • A Justiça do Trabalho continua valendo apenas para apurar e liquidar créditos trabalhistas. A decisão sobre quem paga, empresa ou sócios, deverá obedecer aos novos critérios da lei de recuperação/falência.

E o que esperar daqui pra frente

  • O Tribunal Superior do Trabalho (TST) já iniciou um procedimento (Tema 26) para fixar uma tese nacional sobre o tema, ou seja, muita coisa ainda está em aberto.
  • Até a tese ser fixada, há decisões divergentes nos tribunais, o que traz risco e insegurança para sócios e empresas.
  • Para quem está em recuperação judicial ou pensando em pedir recuperação: o ideal é revisar a estrutura societária, contabilidade, movimentações, e contar com assessoria especializada para evitar surpresas.